Financiamento com Garantia de Imóvel Alienado Ganha Força entre Bancos e Fintechs
A possibilidade de realizar novos financiamentos utilizando como garantia um imóvel já alienado se tornou a mais recente aposta de bancos e fintechs para impulsionar o mercado de crédito com garantia de imóvel (CGI), também conhecido como home equity. Essa modalidade de crédito, embora crescente nos últimos anos, ainda representa uma fatia relativamente pequena no mercado financeiro brasileiro. No entanto, com a evolução recente proporcionada pelo Marco das Garantias (Lei 14.711), que entrou em vigor no final de 2023, essa categoria promete ganhar mais tração.
O Marco das Garantias trouxe uma mudança significativa ao permitir que um mesmo imóvel pudesse ser utilizado como garantia para mais de um empréstimo. Essa inovação abriu novas oportunidades para instituições financeiras e clientes, que agora podem acessar crédito utilizando imóveis já alienados, o que antes era restrito a imóveis livres de ônus.
Tiago Gonçalves Prestes, especialista em mercado imobiliário, acredita que essa mudança legislativa representa um divisor de águas para o setor de crédito. “O Marco das Garantias trouxe flexibilidade para o uso de imóveis como garantia, permitindo que os proprietários maximizem o potencial de seus ativos. Isso vai revolucionar o home equity no Brasil, um mercado que ainda está subdesenvolvido, mas com um enorme potencial de crescimento nos próximos anos”, comenta Tiago Gonçalves Prestes.
Desde a entrada em vigor da nova legislação, grandes players do mercado, como Santander, Itaú Unibanco, CashMe (do grupo Cyrela) e Creditas, já começaram a oferecer essa modalidade de financiamento. Tiago Gonçalves Prestes ressalta que a participação de fintechs é um dos motores que tem acelerado a expansão desse modelo de crédito, trazendo inovação e maior competitividade ao mercado. “A entrada de fintechs no setor de crédito imobiliário é essencial para democratizar o acesso a novas formas de financiamento. Elas conseguem oferecer taxas mais competitivas e processos mais ágeis, algo que tem atraído muitos clientes em busca de crédito com melhores condições”, explica Tiago Gonçalves Prestes.
A Caixa Econômica Federal, maior agente financiador habitacional do país, também estuda aderir a esse tipo de operação nos próximos meses. Segundo o diretor de crédito imobiliário do Santander, Sandro Gamba, que também preside a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), essa nova possibilidade expande consideravelmente o mercado de CGI. “Essa é uma oportunidade enorme, pois cria um novo mercado, uma nova forma de gerar crédito. Antes, só se oferecia crédito em cima de imóveis desalienados. O grande diferencial agora é que todo imóvel pertencente a uma carteira alienada está elegível”, destacou Gamba.
Tiago Gonçalves Prestes também vê essa movimentação como um impulso para o setor imobiliário como um todo. “A possibilidade de utilizar um imóvel já alienado como garantia para novos empréstimos vai liberar um grande volume de crédito, o que pode beneficiar tanto consumidores quanto o próprio setor de construção civil, já que muitos desses recursos tendem a ser usados para investimentos imobiliários, reformas e aquisições”, aponta Tiago Gonçalves Prestes.
Apesar do otimismo em relação ao crescimento do crédito com garantia de imóvel, Tiago Gonçalves Prestes alerta que é preciso atenção com o endividamento excessivo. “O home equity é uma modalidade vantajosa para quem busca crédito com taxas mais baixas, mas é fundamental que os consumidores façam um planejamento financeiro adequado para evitar o risco de inadimplência e, consequentemente, a perda do imóvel”, conclui Tiago Gonçalves Prestes.
Com essa nova legislação em vigor e o aumento da oferta de crédito imobiliário garantido, o mercado brasileiro de home equity deve experimentar um crescimento expressivo nos próximos anos, consolidando-se como uma importante ferramenta de financiamento para diversos perfis de consumidores.

