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Sistema de Comunicação de Pernambuco

Coluna Márcia Bortolanza

O que as atitudes dos adultos ensinam às crianças sobre respeito, empatia e solidariedade?

A psicóloga e escritora Marcia Bortolanza reflete sobre o papel do exemplo na formação infantil e destaca a importância de cultivar valores humanos desde a infância.

Por Marcia Bortolanza

Escritora e Psicóloga

“As crianças podem até esquecer o que lhes dizemos, mas carregam pela vida aquilo que aprenderam ao observar nossas atitudes.”

O Dia das Crianças passou, os presentes foram entregues, as comemorações terminaram e a rotina voltou ao seu ritmo habitual. Mas uma pergunta merece permanecer entre nós: o que estamos, de fato, ensinando às nossas crianças?

Vivemos em uma sociedade que se preocupa cada vez mais em oferecer oportunidades, tecnologia, conforto e conhecimento aos filhos. Tudo isso tem seu valor. Entretanto, em meio a tantas preocupações com o futuro, corremos o risco de negligenciar algo essencial: a formação humana.

As crianças aprendem muito mais com aquilo que presenciam do que com os discursos que escutam. De pouco adianta ensinar respeito quando nossas atitudes revelam intolerância. Não basta falar sobre generosidade se somos indiferentes às necessidades do próximo. Tampouco podemos exigir empatia quando nossas relações são marcadas pela falta de escuta e acolhimento.

Como psicóloga, compreendo que a infância é um período fundamental para a construção de valores, vínculos e referências emocionais. É nesse cotidiano, muitas vezes aparentemente simples, que a criança começa a compreender seu lugar no mundo e a maneira como deve se relacionar com as pessoas.

Foi justamente essa reflexão que me inspirou a escrever “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido”, obra que alcançou a marca de best-seller e integra a Trilogia da Solidariedade. O livro nasceu da convicção de que a solidariedade não deve ser apresentada às crianças apenas como um gesto eventual de bondade, mas como um valor a ser cultivado desde cedo.

E quando falo em sucesso, não me refiro exclusivamente às conquistas profissionais ou materiais. Refiro-me à capacidade de construir relações saudáveis, reconhecer o valor do outro, desenvolver responsabilidade social e encontrar sentido na própria existência.

Uma criança que presencia os pais ajudando alguém, respeitando as diferenças, reconhecendo seus erros ou tratando as pessoas com dignidade recebe ensinamentos que nenhuma tecnologia é capaz de substituir.

Também precisamos reconhecer que educar não significa acertar sempre. Adultos falham, perdem a paciência e enfrentam suas próprias dificuldades. Mas até nesses momentos existe uma oportunidade de ensinar. Pedir desculpas, reconhecer uma atitude inadequada e demonstrar disposição para mudar são exemplos importantes de humanidade.

Talvez o maior presente que possamos oferecer às crianças não esteja nas vitrines, mas na coerência entre aquilo que defendemos e a maneira como vivemos.

Afinal, a infância não é apenas uma preparação para o futuro. É o tempo em que estamos ajudando a formar as pessoas que, amanhã, irão construir a sociedade em que todos desejamos viver.

E fica uma reflexão: se nossas crianças reproduzissem amanhã exatamente as atitudes que testemunham em nós hoje, sentiríamos orgulho do mundo que ajudamos a construir?